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10 perfis e 2 mitos

Mulheres independentes ou de alguma forma poderosas sempre sofreram a mesma sina: serem chamadas de putas. O caso que logo nos vem à mente é o de Maria Madalena, conhecida como a prostituta seguidora de Jesus Cristo, a primeira a conhecer o milagre da ressurreição. Porém, ao contrário da imagem de muitas obras de ficção e da própria imaginação popular, Madalena nunca foi exerceu a profissão. A “má fama” veio no ano 591 com o papa Gregório, o Grande, e permanece até hoje, apesar do desmentido realizado pelo Vaticano em 1969. Pelo contrário, a “apóstola dos apóstolos” era uma das principais representantes do movimento cristão, sendo uma liderança entre as mulheres.

Antes dela, na Atenas Clássica, Aspásia também foi condenada e chamada de puta, mesmo sendo a esposa de um de seus mais importantes estadistas, Péricles. Citada nas obras de Sócrates e Aristófanes, Aspásia foi uma grande argumentadora e assessora política. Devido a estas qualidades e ao fato de que na época as mulheres de família não receberem a educação que ela recebeu (devido a sua origem estrangeira) em argumentação e filosofia, ela foi identificada historicamente como uma hetaira, uma cortesã de luxo. Na Grécia Antiga, as hetairas eram o que havia de mais próximo ao conceito de mulheres livres e independentes, capazes de proporcionar prazer físico intelectual aos homens.

O espírito das cortesãs gregas se manteve durante os séculos, em todas as grandes civilizações e em todas culturas. Com o uso de sua inteligência, aliadas à beleza e ao conhecimento do sexo, muitas passaram para a História. Donas de personalidades fortes e decididas, encantaram, seduziram e influenciaram os homens de poder de suas respectivas épocas. E por isso mesmo, também chocaram e foram estigmatizadas pelo resto da sociedade. É com estas heroínas, que puderam dizer com orgulho “sou puta”, que podemos aprender mais sobre as relações, o sexo e o amor. Vejamos suas histórias.

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