estou criando o novo anuncio do orgasmax e Alan me deu esta ideia de usar a imagem da Vênus de Willendorf, esta deusa paleolítica, símbolo eterno de feminilidade, de sensualidade e fertilidade conservado e apreciado através dos séculos. eu tenho uma Vênus destas, ditas esteatopígias, o que quer dizer cheia de gorduras. a ideia de gordura no corpo hoje em dia nos é totalmente repulsiva, mas na natureza é o índice de gordura corporal que permite ao organismo fabricar hormônios. vocês sabiam que atletas de elite, com o indice de gordura baixíssimo, não menstruam?
enfim, tenho esta vênus pequenininha e é uma escultura que eu adoro, da minha amiga Celeida Tostes, que já morreu. a Celeida criou estas esculturinhas e as distribuiu no sítio arqueológico que criou na Fundição Progresso, sua instalação na expo que organizei ali há anos atrás. As figurinhas foram enterradas no sítio e o público deveria cavar a terra para encontrá-las.
guardei a minha e tenho por ela um carinho especial, sábia Celeida, quem sabe antevendo o retorno do verdadeiro feminino, atualmente meio enterrado feito fóssil, bloqueado pelo excesso de exposição de seios e bundas, silicones e botox. daí procuro no Google imagens da Vênus famosa, esta aí ao lado, e ao vê-la me dou conta de como seria impossível usá-la num anuncio contemporâneo pretendendo transmitir, significar sensualidade feminina. estamos hoje no outro extremo, no mundo das mulheres cabide, secas, ossudas, quando foi que perdemos o link com tudo que historicamente representou a qualidade, a atratividade feminina? nossa qualidade de fêmeas, de mães? como foi que chegamos tão longe de nós mesmas?
conversando com o Alan hoje repensei todo o conceito de sexualidade, de toque, de carne, de energia. como foi que nos deixamos enganar, levar por esta imagem inatingível que a mídia transmite? como foi que nos deixamos arrastar para esta situação onde a satisfação com o corpo, condição básica para o prazer, é impossível? tá certo, a Willendorf é um pouco demais, ninguém há de querer a barriga, os seios caídos, mas vejam como ela é sensual, a boca receptiva, a cona exibida, as curvas macias…
precisamos reencontrar o bom senso na auto imagem, a possibilidade de nos amarmos mais, de cuidarmos da saúde, da forma, sim, mas dentro de um limite possível, atingível… quando o Alan me toca não tem gordura, nem velhice, nem rugas, só o amor, dois corpos em um, a maciez da pele… e mesmo assim eu às vezes ainda me torturo e me ameaço com sacrifícios impossíveis na busca de uma impossível magreza (meu tipo é assim, pequena, mignon, curvilínea, pra ser gentil comigo mesma, mas não, estou normal, não estou gorda, poderia bem perder uns 5 quilinhos… risos)
gosto daquela campanha da Dove pela normalidade das mulheres, mas acho ainda fraca pra mudar a tendência, pouco material no website, muito centrada no aspecto comercial mas, enfim, algum começo de reação aparece na mídia. Alan diz que cheira a mudança chegando, pois ninguém aguenta mais viver neste stress imposto pela necessidade de consumo mundial. a gente chega à conclusão que esta imagem anoréxica criada pelos fashion designers foi um tiro no pé, pois mulher infeliz com o corpo não compra roupa, se acha um monstro dentro de qualquer modelo, quem de nós, mulheres normais, não teve esta sensação frustrante no provador da loja?
quem hoje em dia deveria andar na corda bamba temendo a falência são os fabricantes de diets e lights, estes sim, vendendo um conceito fake de saúde e enganando a freguesia, sabe-se lá quanta química pra chegar neste resultado de baixa caloria… saúde é natureza, é equilíbrio, é comida fresca…voltando à Vênus… bem, nada de esteatopigia no meu anuncio, não tive coragem, né? acabei na sensualidade do beijo de Rodin, na mulher com curvas mas harmoniosa para nossos padrões. ai, posso falar deste assunto por horas mas a gente volta depois. é sábado, estou cansada, o dia já vai terminando e acabei trabalhando o tempo todo, aprovei um display lindo pra clipfit.com, uma coisa que eu já queria há tempos, fiz o anuncio, atualizei o blog… ufa, tempo de dar um tempo, tomar um banho, relaxar e cair nos braços do maridinho, um filminho na tv que energia pra sair à noite não há mais… um chazinho verde que o dia já deu chope… see you.
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