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Mito n. 1: a puta do coração de ouro

Uma mulher moralmente decente, mas que devido a obrigações financeiras ou qualquer outro tipo de dificuldade é levada ao desespero e deve vender seu corpo, tornando-se prostituta. Em outra variação, ela se apaixona por um cliente jovem ou pobre, ou mesmo pelo patrão, mas sempre dentro de uma relação conflituosa. Esta é a puta do coração de ouro, uma personagem que aparece na literatura e no cinema e que faz parte de nossa mitologia.

Na tradição judaico-cristã, a puta do coração de ouro pode ser relacionada com Maria Madalena (pela versão mais popular conhecida, porém já desmentida) e com Rahab. Esta suposta prostituta do Antigo Testamento ajudou espiões israelitas na invasão da cidade de Jericó, tendo sua vida e a de sua família poupada em troca e salvando a alma ao mesmo tempo.

Já na ficção temos os exemplos Dulcineia de Dom Quixote de la Mancha, a Violetta da ópera La Traviata e a personagem de Julia Roberts em Pretty Woman, entre muitas outras mulheres de coração puro e nobres sentimentos, arrastadas para a vergonha da prostituição.

Em uma versão mais moderna e amenizada, a prostituta se transforma na stripper com o coração de ouro, ainda uma trabalhadora do sexo, de moral questionável e suspeita. Como por exemplos, a personagem de Demi Moore no filme Striptease e a jovem Nancy Callahan com o sensual número do laço, protagonizada por Jessica Alba em Sin City.

Presente em praticamente todas as culturas, pode ser considerada um arquétipo universal, revelando os conflitos que todas sociedades possuem em relação ao sexo, à decência e à moralidade. E para nosso pesar, a prostituta do coração de ouro na maioria das vezes possui um triste final, sendo levada a uma morte trágica, em uma forma de redimir o pecado de ter manchado sua pureza e decência.

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